terça-feira, 24 de novembro de 2009

Muros e Ilhas...


in google imagens

O solitário é um diminutivo do selvagem, aceite pela civilização (Victor Hugo)

Os muros e as ilhas representam, a divisão, exclusão, a solidão…`


Erguem-se os muros para protecção, mas também se construem para apartar gente, separar as pessoas pela resistência das pedras, dissuadir as etnias de se imiscuírem, inibir as ideologias de se propagarem, proibir convivência social.

Os muros existem ainda por todos os cantos do mundo, desde o México ao Médio Oriente, onde a segregação é assumida, num mundo que se proclama global.

As ilhas são a tradução do isolamento, da exclusão, pelo afastamento. Podem ser locais de fruição, quando se procura um retiro voluntário de descanso. Mas podem ser locais de exílio, de repúdio para franjas sociais estigmatizadas, pontos de ostracização, chão de desterro.

Ocupam-se as ilhas para privação na geografia mundial, desde as clássicas prisões americanas, às ilhas nas Molucas, onde a pobreza indigna a vida dos campos de refugiados.

Abatem-se algumas paredes, evacuam-se umas ínsulas, todavia, perduram as repressões, as quedas são simbólicas, ínfimas partes das muitas marginalizações que metade do mundo faz a outro meio, somente porque a igualdade defendida como direito universal não existe, mas subsistem os anátemas

A força fez os primeiros servos, a sua cobardia perpetuou-os. (Rousseau)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

azul


Morre-se nada quando chega a vez é só um solavanco na estrada por onde já não vamos morre-se tudo quando não é o justo momento e não é nunca ...
Mia Couto

Morre-se quando não existe mais ninguém pela qual se tenha vontade deviver…
Quando então a luz se apaga, resta apenas uma eterna noite para dormir
A morte é docemente azulada lembrando o céu que é um conjunto de gases, sem forma que representam o nada, a tranquila flutuação no volátil apaziguador das horas que pararam o registo dos ponteiros onde ela, a morte, se escondeu durante tanto tempo da nossa existência.
E a cor da morte pacifica a dor, enquanto alívio, serenamente o nada envolve-se do tom celestial para o que repousa, pintando de negrume o coração dos que choram a perda.
O contraste é avassalador, mas tão real, que nos esquecemos propositadamente que ele existe, ainda que a nossa memória selectiva se iluda com receio de ir ao encontro do azul, mas também de se tingir de negro…

sábado, 7 de novembro de 2009

Sebastião Salgado
Hoje apenas um pequeno nada:
Ou, um pequeno tudo:

O mundo está a apodrecer, humanamente. Perdeu-se o sentido de sobrevivência, ganhou-se o vício da usurpação.
O individualismo desmedido roubou a prática do repartir, da colectividade, como forma de aconchego e de força.
As adversidades são combatidas pela tabela da repulsa, com armas de destruição física e psicológica, ganhou-se o sentimento da aniquilação de qualquer sombra indesejada, a que pode, em qualquer altura competir com um poder instaurado.Um grande poder, ou um pequeno, não importa a relativização do lugar de trono. Apenas interessa mantê-lo, porque empresta ao ser humano a ideia de "super" e esse grau confere importância social, cuja experiência se torna viciante e como todos os vícios, ilusória de bem-estar, intemporal, como se a eternidade fosse apanágio daqueles poderosos.
Faz falta um novo "velho do Restelo", que desperte para a fragilidade ilusória dos que trepam a todo o custo na pirâmide social, que os Cânones históricos dão como desintegrada após o terminus do Antigo Regime.....não obstante o seu conservadorismo, mas que por ser ancião possuía a sabedoria da experiência adquirida:
Ó glória de mandar , ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C´uma aura popular que honra se chama..... (Os Lusíadas)

domingo, 18 de outubro de 2009

ziario।files।wordpress।com


Falar…

As palavras
São um doce alento,
Algumas, um amargo de boca,
até um incêndio!
Outras,
apenas ocas,
Vazias, banais…

Muita repletas de memórias.
Outras tímidas, inseguras;
beijos, ternuras,
enternecem, ou estremecem.

Inocentes, leves,
Tecidas de seda, refrescam;
pouco ousadas, embalam a mente.
Gritadas, severas,
rudes, apunhalam a gente!

E quem as escuta?
E quem as diz?
Assim as recolhe, minorando a solidão;
Assim as ecoa, lá fundo da razão.
Mas são palavras, então…
Saem da boca,
Entram no coração.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

rescaldo das eleições....

"A aparência de justiça combinada com a injustiça efectiva conduziria ao auge da felicidade... Para ser rigoroso, o auge da felicidade é a vida do tirano, do homem que conseguiu cometer o maior de todos os crimes ao subordinar a cidade como um todo ao seu bem particular, e que se pode dar ao luxo de abandonar a aparência de justiça ou de legalidade” - Epicuro

Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos directa ou indirectamente, por meio de representantes eleito. Uma democracia pode concretizar-se num sistema presidencialista ou parlamentarista, quer de natureza republicano, quer monárquico.
Os valores fundamentais da democracia são a liberdade e a diversidade, entendida a primeira como princípio sobre o qual deve fundar-se a organização política da sociedade, e a segunda, como corolário que conduz ao pluralismo de ideias e actuações.
Os inimigos da liberdade são criativos, inventando novos instrumentos ardilosos, que ludibriam o povo, invocando o bem público, conseguindo inverter as regras da ordem democrática, para que esta se transfigure num formalismo simbólico e poder passe regularmente a ser dividido entre os que já o têm, dando a ilusão ao voto, acreditando os eleitores que foram eles que escolheram livremente.
A informação distorcida, as técnicas do marketing político são a mais elaboradas formas de iludir os crentes democráticos cidadãos, que vão às urnas convictos de uma representatividade que afinal não existe, enquanto “voz colectiva” das maiorias que votaram, partindo da escolha. Só que essa escolha já estaria elaborada, “dourada a pílula”, para confundir os crentes, cujo padrão ideológico é adaptado ao desejo de quem apregoa programas políticos, que se encapuzam de utilidade publica, obscurecendo a exaltação privada.
O Estado contemporâneo em forma de democracia, está cada vez mais a adquirir jeitos de totalitarismo, embora não idênticos aos que floresceram na primeira metade do século XX e redundaram no nazismo e no comunismo. Essas que descambaram para a supressão do regime de propriedade privada, das liberdades pessoais, do controlo educacional da juventude, mediante, a permanente vigilância sobre a sociedade
A crise económica fez soar o alarme dos perigos que podem oprimir um povo, em nome do proteccionismo, se o poder estabelecido for posto em causa, sobretudo se, em prol da comunidade, os governos tomam um atalho para o totalitarismo, como salvaguarda dessa crise sistémica.
As maiorias parlamentares sob a capa de uma só força política indiciam um prognóstico de “autismo”, enfermo de sintomas autoritários, a coberto da necessidade da viabilidade de governo.

“…para que a democracia se salve e regenere é urgente que se busque assentá-la em fundamentos metafísicos e se procure a origem do poder não nos caprichos e disposições individuais, mas nalguma coisa que os supere e os explique, aprovando-os ou reprovando-os. O indivíduo passaria a ser não a fonte mas o canal necessário ao transporte das águas; nenhuma autoridade sem ele, nenhuma autoridade dele.” - Agostinho da Silva

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ser ou não ser....


“O verdadeiro mistério do mundo é o visível e não o invisível...
Oscar Wilde, 'O Retrato de Dorian Gray

Nunca nos contentamos com a vida do nosso próprio ser: desejamos viver na ideia dos outros, para que nos aceitem, viver uma vida deformada com propósito, para isso esforçando-nos por manter algumas aparências. Trabalhamos diariamente para “embelezar” o nosso ser adulterando o seu âmago, em prol do imaginário, descurando o verdadeiro, apressamo-nos a apregoá-lo, atribuindo virtudes ao nosso outro ser. Se necessário, de bom grado , aceitaríamos ser cobardes, para parecermos valentes…

Grande sintoma este do nada que somos, trocarmos muitas vezes uma pela outra! Na competição pelo prestígio social, parece – nos sempre sensato a tentativa de aperfeiçoar a nossa imagem, em vez de o fazermos a nós mesmos. Habituados à vida alheia das celebridades, como exemplos a seguir, confundimos as nossas sombras com nós próprios.

Difícil é reconhecer de longe a índole de muitos, por mais que sejamos astutos, pois de facto, alguns escondem sob a ostentação da riqueza a sua verdadeira condição.

“Pelas roupas rasgadas mostram-se os vícios menores: / as vestes de cerimónia e as peles escondem todos eles”

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Apocalipse

pastorvaldemirsarmento.wordpress.com

Os mortos renasceram.

Os vivos morreram.

O sol apagou-se.

As estrelas romperam-se.

O céu incendiou-se.

O universo contraiu-se.

E foi o dia do juízo final…

A eternidade deu.se!

E fez-se nada.

Até sempre….

Um novo ser.

Um ser de novo.