
Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
(Manuel Alegre)
Há 35 anos nasceu uma esperança.
A juventude muito imatura de quem a viveu julgou que iria surgir uma terra nova, com uma vivência de liberdade que não era conhecida, mas era ansiada, porque o mundo estava a mudar tão rapidamente, que conseguia quebrar os filtros ditatoriais, contagiando os espíritos volúveis, em crescimento, ávidos de novidade.
As bocas caladas iriam finalmente dar origem às palavras gritadas, exigentes, brandindo ecos de protestos , reputando as restrições vigentes.
Rasgou-se o silêncio, fez-se a revolução, ouviram-se respostas sem sangue, juntaram-se vozes, multidões expectantes., houve uma Victoria limpa.
Os cravos ataviaram o cenário do dia e perpetuaram na História o símbolo do triunfo, cujo v esboçado nos dedos exibiam a vitória sentida.
Tudo parecia favorável para se ser feliz! As pessoas acreditavam numa mudança. a providência daria lugar à aventura, pela construção do futuro colectivo, assente no arbítrio de cada indivíduo, que actuaria intrépido, sem grades erguidas, barreiras erigidas por um déspota, em nome da segurança nacional.

E hoje, por onde andam as certezas que acalentavam as aspirações?
Os "ismos" perderam força, a fé na justiça desvaneceu-se, a liberdade alterou a sua essência.
Houve muitas alterações que restringiram as convicções pela asserção que os factos vieram a comprovar. A dialéctica do real contrapõe-se à linearidade das aspirações: nada se mostra como parece ser....
Os cravos vermelhos murcharam no cano das espingardas , mas os que foram metidos na terra reviveram. Todos juntos, os que crêem numa vida de direito devem continuar a replantar os cravos e regá-los, aparando as ervas daninhas que os invadem....