A simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último resultado da experiência, a derradeira força do génio
Como é que acontece perder-se o gosto pela simplicidade a ponto de não mais se perceber que a alienação, em prol do exagero, deforma a vida, cansa e retira-lhe qualquer sentido num ápice?
Recorrem-se a todos os métodos para alguém brilhar, segundo os Cânones da apologia do espavento social. Brilha-se através do recurso a todas as formas e propaganda. Propaganda é um modo específico de se apresentar uma informação, com o objectivo de se obter uma certa forma de recompensa., material, ou de satisfação pessoal, esta última, a cujo culto da personalidade não deixa de ser alheio Ainda que a mensagem contenha em si algo de verdade, é possível que esta seja partidária, contendo uma manipulação de informações, referindo-se geralmente aos esforços patrocinados, permitindo lançar para a ribalta o sujeito propagandeado.
Obtém-se estatuto pelo uso e abuso do dinheiro, pela carreira política, pela mostra da intelectualidade, pela exposição espaventosa do corpo, pelo uso indevido, da força e do poder, pela concepção de uma arte “de luzes ofuscantes”, que somente alguns, os iluminados conseguem atingir, pelo desporto prestigiante, aquele que se insere no livro do estrelato de capas de revistas. Por isso, para muitos, ossasimples serão de segunda escolha, desinseridos, outsiders, apátridas. Há um canço do artificialismo que domina hoje a sociedade, esse espírito cheio de artefactos que se quer usar nas coisas comuns.
Ter a singeleza
Das vidas sem alma
E a lúcida calma
Da matéria presa.
Queria, queria
Ser igual ao peixe
Que livre nas águas
Se mexe;
Ser igual em som,
Ser igual em graça
Ao pássaro leve,
Que esvoaça...
Tudo isso eu queria!
(Ser fraco é ser forte).
Queria viver
E depois morrer
Sem nunca aprender
A gostar da morte.
(Estrela Morta)
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