sexta-feira, 29 de maio de 2009

Metamorfoses....


Dali

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões




Quantas vezes desejamos mudar aquilo que somos!
Será que nos vamos transformando?
Ou, apenas adaptando àquilo que a vida nos vai trazendo, procurando apenas encontrarmos uma defesa para a preservação do nosso bem-estar?
A mudança é sempre efémera, mudamos porque aprendemos com os erros, mas lá no fundo do nosso ser, pervalecem as nossas convicções, o nosso eu, que somente a maturação nos levou a uma assetividade de actuação, porque não vivemos isolados.
quantas vezes desejamos desaparecer!
E seria mesmo até sempre?








sexta-feira, 22 de maio de 2009

Verdade ou consequência...

                                                                     in google imagens

“Verdade ou consequência”?

Era um jogo da minha adolescência.

Em grupos de rapazes e raparigas,

Todos se batiam à segunda sorte da partida…

Pois na verdade, mentia-se.

Na consequência, fingia-se...

Jogo de imitação da vida:

Ora se perde, ora se ganha.

Ou se consegue, ou se falha.

No dia-a-dia real, 

E o  que se  faz afinal,

senão, encenar e arriscar?

Teima-se em função da sobrevivência.

Desfia-se a própria consciência,

em prol da necessidade,

de um amor, de uma doença….

Jogar à verdade pela falsidade!

À consequência, pela verdade!

Verdade ou consequência?

Será antes uma subtileza,

Uma forma de lidar com a dor,

Ou um mecanismo de defesa…

Não há verdades absolutas,  

há antes axiomas  ocultos.

Vende-se ilusões, compra-se ambições

Contorna-se o real,  em prol do  receptor.

Se ele é humilde escuta-se sem atenção,

Se é altivo condena–se sem perdão!

Afinal, quem legislou a "bíblia” das condutas morais?

Deus?

Então, ele não era infinitamente bom?

Ou terei ouvido mal na religião?

Teria sido ideia dos homens?

E, eles não tinham sido expulsos do paraíso?

Ou terá sido um mito do demónio pagão?

-“Perdoai-lhes Senhor, eles não sabem o que fazem!…”

Ainda ecoam estas palavras no monte Sinai.

A paz é podre, levanta. uma suspeição

Na parada, a traição vai sempre à frente.

É assim que se geram as guerras,

Só poderá haver um dia, tréguas,

quando o igual for igual ao seu igual. 

Aí, haverá mútua compreensão.

Porque:

Amar, é evitar pedir perdão!!!

 

 

sábado, 16 de maio de 2009

Arguto




in oglobo.com

“Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras. "-Teixeira de Pascoaes, século XIX


A institucionalização da mentira, desde há um século que é reconhecida como tal. Uma mentira pode ser uma declaração falsa genuína ou uma verdade selectiva, pode ainda ser uma mentira por omissão, ou mesmo verdade,  se a intenção for enganar.

Se percorrermos os títulos das várias notícias dos jornais nos últimos anos encontramos nas mais diversas dimensões a anatomia da mentira, que norteia a vida social e política a nível global. Somos hoje um produto do engano, quem não aprende a "fintar" o próximo não se move em segurança, porque a segurança depende  da arte de tornear, fintar  e inventar.

 É uma competência para o sucesso, melhor, é o treino para a excelência, que premeia os bem aventurados. A humanidade quanto mais dita civilizada, mais  se delicia com a inconstância, torna-se um desfio e como auto-regulação, recorre a uma fé ou a uma  crença, porque é um bem intrínseco, não se expõe, pode ser muda, porque se pode  falar sem mexer os lábios, pode tornar-se invisível, porque as imagens se  projectam apenas na mente.

David Hume fala sobre este assunto de um modo muito claro:"Eles valorizam a fé implícita; e disfarçam para si mesmos a sua real descrença, por meio das afirmações mais convictas e do fanatismo mais positivo."

Vejamos:

Exclusão do meio termo, ou dicotomia da falsidade? Apelo à ignorância, porque algo não provou ser falso, mesmo sendo evidente e do conhecimento de todos? Evidência suprimida?


Procura-se, de todas as maneiras,  mostrar a  suposta superioridade  e importância em algo, pelo que se usa  a  mentira para fundamentar o discurso, ainda que notado pela farsa  escolhida, em prol do interesse e ascensão pessoal. 

Conhecer a existência desses sofismas  lógicos e retóricos conduz os seus praticantes ao pináculo social, tomando qualquer caminho, desde que se atinja a finalidade.

Tom Paine, um dos defensores e signatários da Declaração da Independência em” The age of reason” afirmava já nos finais do século XVIII, obre a mentira mental, que, quando o homem corrompeu e prostituiu de tal modo a castidade de sua mente, a ponto de eleger a crença  em coisas que não acredita,  encontra-se então preparado para a execução de qualquer outro crime.

E é o crime, a coberto da mentira, que inunda hoje o nosso quotidiano social, não obstante os clamores das vozes moralizadoras, ou dos que anseiam pela simplicidade e justiça.

O logro da acção vence a integridade de carácter, vencem os habilidosos da falácia.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Dádiva....


Jogando  com as palavras....Hoje, a partir de uma mensagem de um grande Homem, que deu uma lição de vida ao mundo dos desfavorecidos.



"Toma um sorriso, oferece-o a quem nunca o teve.
Toma um raio de sol, fá-lo voar além, onde reina a noite.
Descobre uma fonte, faz banhar a quem vive no barro.
Toma uma lágrima, põe-na no rosto de quem nunca chorou.
Toma a coragem, põe-na  no ânimo de quem não sabe lutar.
Descobre a vida, narra-a a quem não sabe entendê-la.
Toma a esperança e vive na sua luz.
Toma a bondade e dá-a a quem não sabe dar.
Descobre o amor e fá-lo conhecer ao mundo. "
 
  
                                                                ( Mahatma Gandhi)

Virando os termos:


O teu sorriso brilha num raio de sol, enquanto a minha  lágrima rola para a fonte.
Quando sinto a coragem a fraquejar, tu ofereces-me a esperança , através da tua bondade expressa no teu amor, que  alimenta o meu ser..aí eu reencontro a vida!
Acende uma luz na noite do meu coração, dá forma ao barro do meu ser, empresta-lhe o  ânimo da tua imagem.
Obrigado... 

sábado, 9 de maio de 2009

Afrodite

                                             Klint

A propósito de um lançamento de um livro de receitas afrodisíacas, ontem dia mundial do Livro...Dá resultado? 

Valem as intenções, ficam as palavras...

Leva-me!
por caminhos de prazer 

Inflama –te!

na chama dos nossos corpos  

 Sufoca –me!
Enrosca –te em mim.

Entrega-te !

Abraça o meu colo.

Deixa-me embriagar no perfume do teu corpo… 

Dá-me os teus beijos ardentes, 
tão doces e tão  quentes...

 Aos poucos vão - nos consumindo, 
esses  desejos tão loucos 

Quero–te por inteiro! 

Só nós dois neste momento.

 

Agarra-te a mim,
para que possamos viajar 
neste  espaço de amor tão perfeito

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Resistência...

                                              in imagens-google

 

" A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos "-

 Gandhi

 

Os vários  rostos da intolerância    invadem as pessoas desta vida actual,  opondo crenças e ideologias, com desprezo pela razão,  respeito pelos outros , negando o sentido social de solidariedade, provocando inúmeros estragos,   quando afinal, se exortam os avanços científicos e tecnológicos, que pretendem educar a sociedade e torná-la (tornará?) mais conhecedora, mais ponderada nas suas actuações.

Mas, cada vez mais esta pretensa verdade verga….

Ergue-se o individualismo, o egoísmo, a ganância do poder, da riqueza a qualquer preço, da vida fácil, sem controlo, do esbanjamento.

O mundo foi-se transformando numa sociedade  descartável de tudo e nada.... Sente-se algum  primitivismo nas finalidades dos actos, as emoções perderam significado , já não há afectos, q.b.? Luta-se por tudo o que afinal não faz condição de vida ou morte, como era nos primórdios da humanidade, baseado na busca do alimento. 

E o  alimento  da alma?

Paira de novo o sentido do totalitarismo, disseminado pelos pensantes dos vários povos, congregado na intolerância.....

 A gestação de um mundo novo que ocorreu no fim do milénio trouxe consigo a mudança de valores das  consciências conservadoras, um desconforto , mas também arrastou  a sensação de desordem  e o  acerbo do fundamentalismo.

Faltam ideais, aspirações conjuntas, as acções são exercidas em função da necessidade básica, ou do interesse corporativo.

Não se erguem as vozes reunidas, quando se escutam são pouco duradouras, abafam--nas, ou, os que entoam os protestos e as afirmações desistem por  demasiada condescendência…

Falta o ânimo!

As crises  na História foram geradoras de uniões, pela defesa dos oprimidos, será que poderemos ter esperança?

Poderá crescer de novo a concórdia?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mãe há só uma?

                                             In Imgens - Google

Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais.,, 

Eugénio de Andrade

Herdámos o factor genético  do impulso para ser mãe. Nós mulheres, brincamos desde a infância com bonecas, aguçando assim esse instinto, que se vai confundindo com um sentimento amadurecido pela educação, que nos molda a mente, crescendo em nós os afectos, estes de feição peculiar, na medida em que se tornam incondicionais na maioria das mães.
Mas há tantas ainda, que abandonam os filhos? Quem lhes atira a primeira pedra?
Não é linear a culpabilização para elas. 
Umas abandonam por protecção, qual impulso de de abrigo, porque  o ninho não foi feito, o refúgio está sem conforto, quando só o amor não basta. Então, a renúncia procura uma nova aceitação, numa tentativa desesperada de troca de lugares: criar é amar.
Outras, são desprovidas de  equilíbrio  no  entendimento, não são imputáveis, foram mães porque têm órgãos reprodutivos,mas não conseguem lidar com um ser que as limita, c lhes corta os movimentos, tornando-se intrusa do seu quotidiano rotineiro, sem afeições duradouras.
Todas as restantes são  recheados de desvelo para com os seus rebentos, criam-nos, preservando-os dos perigos, sofrem os seus sofrimentos, não descansando enquanto os não sararem, rejubilam com seus  momentos de felicidade, mostram-nos,  tocam-nos e acarinham-nos, preparam-lhes o crescimento, visualizam o seu futuro com sucesso, sonham...
Um dia virá uma desilusão, outra, tudo é compreendido, desculpado, apaziguado, bate o amor mais forte, a geminação de sentimentos entre mãe e filho/a entra na acção da cumplicidade, cuja esperança genuína legitima as acções  maternas.
E elas desgastam-se, desesperam muitas vezes, sentem vontade de desistir...mas o coração fala mais alto, a razão dissimula -se, os seus sonhos vertem lágrimas, mas secam, fazem vigílias, inventam soluções, elas encorajam-se, partem à luta, outorgam o que têm  sem retorno.
Não vivem uma vida, mas várias, tantas as vividas pelos que dela nasceram, assumindo por vezes sozinhas o esteio delas.
Repreendem, mortificam, enfadam, para logo perdoar, afagar e apaziguar a ligação, fragilizada, mas não cessada.
E o menino/a adormecido no fundo dos seus olhos permanece lá até ao último olhar dela..